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segunda-feira, 4 de maio de 2009

BUGIOS X FEBRE AMARELA





Campanha tenta conter matança de bugios provocada por surto de febre amarela


Biólogos de pelo menos 10 centros de pesquisas e organizações não governamentais criaram uma força-tarefa para tentar conter a matança de bugios no Rio Grande do Sul. Os macacos estão sendo mortos pela população, seja por medo da doença ou por culpá-los pelo surto de febre amarela no estado, especialmente em áreas rurais. Na última terça-feira, Porto Alegre também foi incluída como zona de risco da doença. Com a campanha "Proteja seu Anjo da Guarda", os pesquisadores querem mostrar à população que os bugios são essenciais para o combate ao surto.


- Cerca de 1,4 mil macacos já foram encontrados mortos em todo o estado neste ano. A Vigilância Sanitária só conseguiu colher material biológico para teste em uma pequena parte dessa amostra. Entre os animais testados, mais da metade foi vítima de febre amarela. A necropsia mostra que a outra parte apresenta um quadro compatível com envenenamento, mas os estudos neste sentido não foram aprofundados - explica o professor Julio Cesar Bicca-Marques, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).


Os pesquisadores ainda recebem relatos de fazendeiros e mesmo de alunos de escolas do interior que mostram que a população está envenenando os animais, por culpá-los pelo surto da doença

- O que as pessoas não entendem é que o animal é, na verdade, um grande parceiro na luta para conter o surto. A doença só foi constatada exatamente porque os macacos morreram. Os bugios são extremamente suscetíveis à febre amarela. Quando eles aparecem mortos, os órgãos de Vigilância Sanitária entram em alerta - explica o analista ambiental Marcos Fialho, do Centro de Proteção de Primatas Brasileiros (CPB), órgão ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

De acordo com a pesquisadora Thaïs Condenotti, coordenadora do grupo de primatas da Associação para Conservação da Vida Silvestres, bandos de macacos que eram monitorados nas cidades de Fortaleza do Valos e Tupanciretã, entre outras, já desapareceram.
- Esses animais sumiram completamente. Estamos vendo mais uma espécie desaparecer sob os nossos olhos no Rio Grande do Sul, vitimadas pela febre amarela e também pela população - diz Thaïs.

No Rio Grande do Sul, tanto o bugio ruivo, típico da faixa leste do estado, quanto o bugio preto, mais comum na região oeste, estão ameaçados de extinção. Animais da mesma espécie ainda são vistos em abundância em outros estados, como os do Centro-Oeste e em São Paulo, mas os pesquisadores descartam a possibilidade de se recolonizar a área.
Frentes de proteção
Para tentar conter a matança, os órgãos que participam da campanha foram divididos em três frentes. Uma delas é a fiscalização. A Polícia Ambiental será acionada para fiscalizar com mais rigor e punir quem for pego maltratando ou matando animais silvestres.

- A segunda frente é mais acadêmica, ficará a cargo dos pesquisadores, que tentarão avaliar o impacto da morte desses 1,4 mil animais na população. Esses animais que morreram foram encontrados perto de sedes de fazenda ou áreas povoadas, dentro das matas, a situação pode ser ainda mais crítica - alerta Fialho.

A terceira parte é a campanha de conscientização propriamente dita, que está sendo feita especialmente pela internet e também por meio de folders e cartazes, distribuídos pelas secretarias estadual e municipal de saúde.

- Também estamos indo às rádios e televisões, por meio de entrevistas, na tentativa de levar informação aos pontos mais distantes do estado - diz Bicca-Marques.
Thaïs lembra ainda que a vacinação é muito importante.

- As pessoas devem assumir a responsabilidade de zelar pela própria saúde. Basta ir tomar a vacina para evitar a doença. Os bugios não têm essa opção de se vacinar e acabam sendo tão vítimas quanto nós da febre amarela.