
Para que a placa de "Proibido animais" fincada no coração do Parque dos Macaquinhos, como mostra a foto acima?
A composição da foto é eloquente. A guia do cão é vermelha, da mesma cor e inclinação da outra faixa, pintada na placa, que indica a proibição da circulação de animais no parque.
Essa questão da circulação dos animais em parques tem se revelado uma das mais complexas para garantir a harmonia das convivências em espaço público, em especial um espaço de lazer. Seria um radicalismo extremado querer eliminar os cães dos parques.
Já faz parte de nossa cultura, das regras de convivência mais recentes, esse tipo de convívio. Mas então, por que a placa permanece lá? É intrigante. Ao mesmo tempo, é preciso que os donos dos animais não se esparramem excessivamente no espaço que é de todos nem os transforme em banheiro dos bichos. O que volta e meia acontece e gera desentendimentos entre os usuários de parques.
Uma foto praticamente igual à da imagem acima, sobre o mesmo tipo de polêmica, foi publicada no Pioneiro em 11 de dezembro de 2007. Vinte meses depois a placa prossegue no mesmo lugar, e as pessoas continuam a passear com seus animais no Parque dos Macaquinhos. Passeio, aliás, que está dentro da lei. O Código de Posturas de Caxias do Sul define:
* É proibido o passeio de cães nas vias e logradouros públicos, exceto com uso adequado de coleira e guia, conduzidos por pessoa com idade e força suficientes para controlar os movimentos do animal.
Para o caso de cães bravios, o Código também libera o passeio, desde que com focinheiras adequadas.
O rapaz da foto, que passeia com seu cão, está ao abrigo da lei, portanto, amparado pela exceção prevista pelo código. Nesse caso, vale voltar à questão inicial: o que a placa está fazendo ali?
Entre os extremos de um parque deserto de cães e outro transformado em banheiro público para cachorros há todo um vasto espaço para a harmonização da convivência entre cães, donos e outros usuários de parques.
Harmonizá-la parece tranquilo, uma questão de bom senso, mas sempre se manifestam radicalismos de parte a parte. Gente que implica com os bichos, donos que não recolhem a sujeira dos animais. Ouso afirmar que, quando não se ouvir mais essa discussão a respeito da presença de cães em parques, será um expressivo sinal de que a cidade está mudando o patamar de suas relações de convivência. Será quando o bom senso terá mais naturalidade e facilidade para prevalecer.
fonte: JORNAL PIONEIRO 04/08/2009
